17/06/2012

Brasileiros preferiam a companhia de seu pet no Dia dos Namorados

Saiu na revista Psique o resultado de uma pesquisa que revela que 18% dos brasileiros preferiam a companhia de seu pet no Dia dos Namorados.

Vejam, sou do tipo que adora animais e, às vezes, prefiro mesmo a companhia dos meus amigos de “4 patas” do que a de “certas” pessoas. Mas, será mesmo que o “afeto” de um bichinho de estimação pode substituir o de um ser humano?

Obviamente, como diz a reportagem, “o animal não discute, pode ser punido sem maiores problemas e provavelmente não vai trocar de dono. Controlá-lo é muito mais fácil e confortável. Mas isso basta?”
Parece que para 21% das pessoas, sim (conforme apontado na pesquisa).

Ainda segundo a revista, o dado de maior relevância nesta pesquisa, que se mostra artificial, já que não foram investigados os motivos sobre a preferência animalesca dos entrevistados, é de que tal preferência estaria mais vinculada à idade e não ao sexo. Estas respostas foram associadas a pessoas mais jovens.

Inevitavelmente, vinculamos a possibilidade da ocorrência de tal resultado a questões culturais e sociais do mundo contemporâneo. Os mais jovens nascem em uma época de consumismo exacerbado, da internet, das informações fugazes e extremamente rápidas que se modificam a todos o momento. Diferentemente do que os mais velhos viviam há poucas décadas, os jovens vivenciam relações mediadas pelas redes sociais que facilitam a interação por um lado e dificultam por outro. A facilidade hoje é viver o que se chama de extimidade, contrariamente ao que chamamos de intimidade. Os segredos, acontecimentos e sentimentos são vividos em exposição pública, divididos nas redes sociais para quem quiser olhar. É a intimidade para que todos olhem.

É comum hoje ver crianças, adolescentes e adultos jovens brincando ou sentados juntos, porém, individualmente vinculados aos seus games ou celulares, buscando e-mails e acessando suas redes sociais. Sem palavras. Sem a observação do outro. Muitas vezes, sem a observação de si mesmo. A vida se modifica, o tempo corre e não há troca mútua. E quando estamos juntos, a tecnologia media a relação.

Relacionar-se é difícil e dá muito trabalho e, além disso, pode gerar dor e sofrimento. Aliás, muitas vezes é o que acontece. É natural. A dor do término, da rejeição, da traição, mas há também a dor da mudança, do crescimento que pode ser alcançado dentro de um relacionamento.

Necessário ainda salientar que os conflitos fazem parte dos relacionamentos humanos, pois todos temos qualidades e defeitos;  e a aceitação do outro, com as suas qualidades e defeitos, é tão importante quanto aceitar a si mesmo. Afinal, não aceitar o outro é também não aceitar a si próprio.

Necessário também ressaltar que como verdadeira fã do mundo animal, da natureza, não estou me colocando contra aqueles que demonstram grande carinho aos seus pets. Eu jamais poderia fazer isso. Mas acho muito válido “refletir” sobre tudo o que foi dito acima.




Nota: Texto originalmente publicado no blog Palavreando, em 05/09/2011

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Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come".

(Índios Amazônicos)

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