05/09/2013

Ansiedade, crise dos trinta ou crise da modernidade?


Por Janethe Fontes


Procuro algo que explique esse estado de aflição em que vivo há pelo menos três anos, essa ânsia de viver, essa necessidade quase desesperada de fazer as coisas acontecerem, misturada à angustia de que o tempo está passando e não consegui realizar nada, nada, nada(!), do que havia idealizado. Por isso fiz algumas pesquisas e recorri até o mesmo ao dicionário Houaiss para me ajudar nesta peleja.

Ansiedade = 1°) grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia; 2°) desejo veemente e impaciente; 3°) falta de tranqüilidade; receio; 4°) estado afetivo penoso, caracterizado pela expectativa de algum perigo que se revela indeterminado e impreciso, e diante do qual o indivíduo se julga indefeso.

Crise dos trinta: Não encontrei qualquer definição para crise dos trinta, mas acredito que seja o medo, mesmo que inconsciente, da proximidade da esterilidade, de não poder mais gerar filhos, da menopausa (andropausa para os homens), que para algumas pessoas chega bem mais cedo do que deveria, medo de perder a sensualidade, de deixar de ser atraente. Talvez seja por isso que de um tempo para cá, minha aparência, mais do que nunca, passou a ser algo tão importante, e eu entrei na loucura das dietas, dos exercícios diários e dos cremes e loções, para retardar o envelhecimento, pois o tempo, como costuma dizer uma amiga minha que também passa pela mesma fase, é implacável.


Crise da modernidade: Também não encontrei qualquer definição a respeito, até mesmo porque a crise da modernidade envolve muitas coisas, mas, no meu caso, e no caso de muitas mulheres (a mulher foi a que mais sofreu as mudanças ocasionadas no último século, por isso falarei apenas delas nesse parágrafo), creio que essa crise envolva valores de auto-afirmação em múltiplas coisas, portanto temos de ser bem-sucedidas profissionalmente, independentes, cultas, além de bonitas (mesmo depois de um dia de trabalho árduo), mães dedicadas e bem humoradas (mesmo depois de suportar o chefe chato e pegar um ônibus lotado com um homem roçando sua bunda (desculpem a expressão, mas foi inevitável)), e, ainda por cima, precisamos ser amantes ardentes e bem dispostas à noite, afinal o namorado, marido, amante, está à sua espera na cama.



E a que conclusão cheguei depois de tudo isso? Que talvez o que eu sinta seja um misto de tudo o que citei acima. E que vou ter de aprender a lidar com essas alegrias e tristezas, limites e frustrações que o tempo me trouxe. Afinal tudo isso faz parte da vida. Além disso, creio que não possa fugir a essa turbulência interna que me faz repensar o tempo todo a vida, mas posso tentar aceitar minhas limitações, sem deixar, é claro, de lutar pelas coisas que ainda acredito. Além do mais, dizem também que tem  crise dos quarenta, dos cinqüenta (ai, meu Deus!), então o jeito é não entrar numa neurose agora, ainda tenho muita crise a enfrentar!


Nota: Embora tenha comentado acima que a mulher foi a que mais sofreu as mudanças ocasionadas no último século, quero deixar claro que não estou, de maneira alguma, defendendo retrocesso a posições anteriores. Afinal, admito que o que tínhamos antes não era nem um pouquinho melhor do que o que temos hoje. Portanto, nós, mulheres, temos mais é de usufruir de tudo o que foi conquistado. Precisamos apenas conseguir um equilíbrio.




Publicado originalmente no blog Palavreando em 27/10/2006

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2 comentários:

  1. Amiga, bem-vinda ao time. Não está sozinha nessa, tenha certeza disso. Não tenho explicação para essas crises de ansiedade, esses altos e baixos de humor... tem a ver com tudo e com nada. Gosto de pensar que o ser humano está mudando sua vibração (papo zen) e, com isso, todo o lixo acumulado em nosso interior precisa vir a tona para ser eliminado. Freud não explica, mas o misticismo sim!!! Hehehehehehehehehe. Bjoooooooo

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  2. Van,

    Eu já sai dessa fase, agora estou na dos "enta"!!!!!! (kkkkkkkkkk)

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Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come".

(Índios Amazônicos)

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