02/02/2014

Entrevista para a autora Ahtange Ferreira de Marcas Indeléveis

1 - Conte-nos quem é a Janethe Fontes?
Sou uma pessoa simples... uma sagitariana apaixonada pela vida, pela família (incluindo minhas lindas crias de 4 patas) e também pela natureza. Sou brasileira, casada, mãe de dois filhos e Escritora Romancista. Sou ainda blogueira nos momentos vagos, palestrante quando possível, administradora de uma pequena empresa de eventos no dia a dia e leitora incondicionalmente viciada.

Faço parte do projeto Lê Guarulhos, movimento dos escritores da cidade de Guarulhos, e também do CNA – Clube dos Novos Autores, movimento que luta em prol da literatura nacional e da ANEB – Associação Nacional de Escritores Brasileiros, focada em fortalecer os processos de distribuição e divulgação de obras nacionais.

Faço parte também da Mochila Literária, que é uma turnê de escritores nacionais que percorrerá as principais capitais brasileiras entre final de 2013 e 2014, com o intuito de divulgar e promover o cenário literário nacional e regional. Sou ainda mentora do Projeto Escritores na Escola da cidade de Guarulhos, movimento ainda não oficializado e em fase de desenvolvimento que tem como objetivos: o incentivo à leitura, a busca pela formação de novos leitores e a difusão da literatura nacional. Além de promover a aproximação e interatividade entre estudantes e escritores, através de encontros realizados em instituições escolares públicas e particulares. 


2 - O que ou quem te inspirou escrever sobre a violência contra mulheres?
O fato é que a violência, de uma forma geral, é algo que me incômoda... que assusta. Então, depois de ler várias reportagens sobre a violência contra a mulher, decidi que iria escrever sobre isso, pois é um tema que você não encontra muito na literatura brasileira. E mesmo em nível internacional, são pouquíssimos os autores que abordam temas que envolvem a violência contra a mulher, a violência de gênero. Por isso, quando decidi escrever meu primeiro livro, achei que poderia “explorar” isso, já que, como eu disse, esse é um assunto que me incomodava, e ainda incomoda, bastante. E como meu primeiro livro, Vítimas do Silêncio, teve uma aceitação muito boa, resolvi “abusar” um pouco mais. Eu realmente acredito que somente “falando” muito sobre esse tipo de assunto é que o mesmo deixará de ser tabu.


3 - Li em seu blog uma matéria, muito boa por sinal, intitulada: porque a Lei Maria da Penha não consegue reduzir homicídio de mulheres? Você acha que a Lei é só mais uma forma de mascarar uma realidade insolúvel a priori?
Não, a Lei Maria da Penha é um inegável avanço. Mas não é suficiente, como eu disse em meu artigo. Pois se faz necessário mudar o sistema social e investir urgentemente em mudanças na educação de nossas crianças, de nossos jovens, de nossa sociedade, a fim de diminuir as desigualdades de gênero. É preciso mudar essa sociedade machista, onde a supervalorização do “homem”, em contraste com a contínua desvalorização da “mulher”, se reflete na forma de educar as crianças, quee é um dos fatores perpetuadores desse tipo violência.


4 - Em sua opinião, o que se pode fazer para que a Lei seja mais eficaz?
Em outro artigo meu, falei sobre isso. Acredito que a Lei Maria da Penha é bastante eficiente, mas existem falhas no cumprimento, já que, lamentavelmente, entre o que se encontra na lei e o que vemos na prática, ainda existe uma distância espantosa. Juízes machistas dão causa ao homem agressor e as medidas de proteção (como proibição de aproximação da vítima e seus familiares), muitas vezes, demoram a ser despachadas — e, quando são, nem sempre são cumpridas. Daí, fica realmente muito difícil. A sociedade tem de exigir que a Lei Maria da Penha saia integralmente do papel e de fato proteja as mulheres.


 5 - Vítimas do Silêncio é uma história tocante pela dramaticidade que envolve esse contexto de violência sexual. Em algum momento você já foi abordada por uma leitora que viveu essa situação?
Já, várias vezes. E é mais tocante ainda ouvir das próprias vítimas suas histórias. Chega a arrepiar.


6 - Você acredita que um homem que bate na sua parceira e diz amá-la é uma pessoa acometida de um distúrbio psicológico?
Acho que toda pessoa que usa a violência como forma de escape tem distúrbio psicológico. Não há como explicar isso de outra forma. Mas, veja, segundo pesquisas, alguns elementos como álcool e drogas são apontados como os principais fatores que desencadeiam a violência contra a mulher, e não somente contra a mulher, como também contra crianças, idosos e homossexuais. Temos também o machismo que, indiscutivelmente, causa muitas e muitas vítimas. Portanto, temos vários fatores que precisam ser analisados.


7 - Os danos causados neste tipo de abuso (sexual) podem ser irreversíveis. Você acha que o silêncio da vítima ainda é o grande responsável por um grande número de criminosos não pagarem por seus crimes?
Sim, acho. Mas o problema é que grande parte dos casos acontecem dentro do próprio lar da vítima e por pessoas que ela ama, e ainda numa idade que a vítima não tem amadurecimento psicológico suficiente para entender o que lhe aconteceu, não tem um entendimento apurado da violência sofrida; daí, a criança acaba atribuindo a si mesma uma culpa que não é dela. Jamais! Quando a vítima já é pessoa adulta, independentemente da violência ter sido por familiar ou por um estranho, a vergonha é o problema mais comum. Enfim, tudo isso dificulta sim o delato do crime.


8 - Você acha que uma mãe, mesmo vivendo bem maritalmente com seu companheiro, deve alertar e orientar as filhas para uma possível investida?
Pergunta complicada essa, viu? Afinal, é preciso tomar muito, mas muito cuidado mesmo em não delegar às crianças a responsabilidade pela “safadeza/crueldade” de um adulto. Ao mesmo tempo, precisamos alertá-las para uma possível investida. Então, o que fazer? Penso que devemos conversar com nossas crianças e mostrar quais são as áreas do corpo que elas não devem deixar uma pessoa adulta mexer, alertar para que não recebam doces e/ou brinquedos de pessoas estranhas e também que jamais acompanhem outras pessoas sem a autorização dos responsáveis por ela. Inclusive, há na internet cartilhas e vídeos que podem ajudar aos pais a abordarem o assunto com seus filhos, sem causar-lhes terror.


9 - Nunca desconfiei do pai das minhas filhas, mas sempre as orientei e tomei algumas precauções como não permitir que ele ficasse em trajes menores pela casa e elas jamais mostrarem o corpo em roupas mais insinuantes nem mesmo ao irmão mais velho. Será que isso seria paranoia? Ou será que uma forma de evitar qualquer situação do tipo?
Como eu disse acima, faz-se necessário tomar cuidado em não delegar às crianças/mulheres a responsabilidade pela “safadeza/crueldade” de outro. Não podemos achar ‘desculpas’ para comportamentos desrespeitosos, violentos e invasivos. Os trajes de uma pessoa, muito menos de uma criança, jamais podem servir de motivo para que alguém a estupre, para que abuse sexualmente dela. É preciso lembrar que ao pregar “condutas de vestimenta”, reforçarmos, mesmo que sem querer, a tal ‘cultura do estupro’, pois é como se declarássemos que as crianças/mulheres são responsáveis ​​por controlar o comportamento dos homens... é reforçar que a culpa é da vítima porque não se vestiu ou se comportou de jeito "apropriado". E a culpa jamais é da vítima!
Eu entendo que alguém que trabalhe o tempo inteiro com esse assunto fique um pouco paranoico. Eu entendo mesmo, por experiência própria! Mas penso que em vez de ensinarmos nossas meninas a se vestirem ou se comportarem de forma assim ou assada, devemos ensinar nossos meninos o respeito ao corpo do outro, a controlar seus impulsos e respeitar as mulheres como iguais. Creio que somente assim, será possível romper com o ciclo da cultura do estupro.


10 - Deixe-nos um recado, considere ou desconsidere qualquer coisa.
Acho que vou aproveitar “a deixa” para vender meu peixe aos leitores (rsrs). Posso?

Atualmente, eu tenho 3 livros publicados, sendo que meu 4º livro, O voo da Fênix, sai ainda neste ano:

Vítimas do Silêncio, lançado em 2008 pela Editora Universo dos Livros e em 2011 pela Editora Baraúna (2ª edição), agora também pode ser encontrado em e-book no site da Amazon, por uma ninharia(!);

Sentimento Fatal, lançado em 2011 pela editora Dracaena em versão impressa e em e-book (veja aqui: na Amazon);.

Doce Perseguição, lançado em 2012 pela Editora Giostri

Meus livros também podem ser comprados por um preço muito especial em minha lojinha virtual ou em livrarias físicas e também virtuais de todo o país.

E para quem quiser conhecer um pouco mais dos meus trabalhos, seguem meus endereços eletrônicos:

E-mail: janethefontes@gmail.com

Aproveito também para agradecer, do fundo do meu coração, a todos os meus amigos e leitores que me acompanham nesta louca jornada!


Blogue da autora Ahtange Ferreira:
http://romancesindeleveis.blogspot.com.br/2014/01/valorizando-o-nacional_22.html#more

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Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come".

(Índios Amazônicos)

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