07/03/2015

Dia Internacional da Mulher – A pergunta prevalece: Comemorar o quê?

Por Janethe Fontes


Eu gostaria que nós, mulheres, tivéssemos bons motivos para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Gostaria mesmo! Mas o fato é que há ainda tanta coisa a avançar, tanta, que fica realmente difícil qualquer comemoração.
E se em março de 2014, eu iniciei o meu texto dizendo que não tínhamos o que comemorar neste dia, “porque o ano de 2013 foi marcado pelo conservadorismo, e vários setores que representam as minorias tiveram que se mobilizar muito, mas muito mesmo, para não perder direitos que já estavam garantidos na constituição”, o ano 2014 não foi diferente e o 2015 também não promete mudanças. Ao contrário!

Na verdade, tenho a impressão que a luta por respeito e igualdade tende até a aumentar nos próximos anos, tendo em vista que nas eleições passada o povo brasileiro elegeu o congresso mais conservador desde 1964!
            E se o ano de 2013 também foi marcado pela divulgação de estatísticas assustadoras: “segundo apontamentos, há três anos, o Brasilocupa a 7ª posição na listagem dos países com maior número de homicídiosfemininos”, em 2014, a coisa não foi nada diferente. E apesar de não ter estatística mais recente em mãos para confirmar essa informação, é perceptível, a qualquer um que queira ver, que a violência contra a mulher está aumentando significativamente, sobretudo a violência psicológica.

[Foto: Passeata pelo combate à violência contra as mulheres / Foto: EBC]


            Vejam os diversos casos de mulheres que sofreram ameaças de estupro “corretivo” e morte ao defender o empoderamento e direito da mulher nas redes sociais: http://www1.folha.uol.com.br/tec/2015/02/1593592-mulheres-sofrem-ameacas-de-estupro-ao-defender-feminismo-na-internet.shtml. É simplesmente AS-SUS-TA-DOR!!

E não, não é nenhum exagero dizer que o machismo, a misoginia têm crescido nas redes sociais. Tem sim. E muito. Conforme reportagem do brasilpost.com.br, via Instituto Beta para Internet e Democracia: No ano passado, a misoginia online entrou na roda com o chamado "gamergate", quando diversas mulheres na indústria dos jogos, principalmente as desenvolvedoras Zoe Quinn e Brianna Wu, além da blogueira Anita Sarkeesian, foram alvo de uma onda de ataques machistas. No Twitter, no Reddit e em imageboards como o 4chan, as mulheres receberam ameaças de estupro e morte. Há também o caso da jornalista australiana Alanah Pierce, que ficou famosa por enviar printscreens das ameaças que recebia para as mães de seus assediadores, em sua maioria adolescentes.

Ainda segundo o BrasilPost: Há algumas semanas, a jornalista Ana Freitas publicou um texto sobre misoginia em chans e imageboards brasileiros. Nos comentários da página, as manifestações de algumas pessoas - principalmente homens, mas não só - confirmaram perfeitamente as críticas expostas no texto. Para esses comentaristas, pedir respeito é "mimimi" e as mulheres seriam aceitas nesses espaços desde que não se identificassem publicamente como mulheres. Nada contraditório vindo de quem, por exemplo, se refere a mulheres como "depósito de esperma".

Em relação ao mercado de trabalho, continua notoriamente sem qualquer mudança. A mulher permanece ganhando um salário menor que o homem, “continua sendo uma mão de obra barata, ‘dócil’, instruída (já que conforme pesquisas, mulheres têm mais anos de estudos que os homens) e de autoestima reduzida por uma cultura misógina, que lucra muito pregando inseguranças às mulheres (a ‘ditadura da beleza’ instituiu dois grandes medos para dominar o público feminino: o medo de envelhecer e de engordar, e isso gera altos lucros às ‘indústrias da beleza’).” E continuamos com a dupla ou tripla jornada de trabalho, tendo em vista que a maioria das mulheres trabalha fora e em casa.

Há ainda a necessidade cada vez mais premente de questionar velhos mitos que nos infligiram ao longo do tempo e que em nada nos engradece ou privilegia, ao contrário, nos coloca em uma posição que nos torna subordinadas a tradições patriarcais. É costume ver nas redes, em datas como essa, uma enxurrada de mensagens com fotos de flores e asneiras que parecem “elogiar” as mulheres, mas que, infelizmente, só ressaltam expectativas machistas (veja mais sobre isso no meu artigo de2014).

Enfim, ratifico que temos uma batalha muito grande pela frente nas mudanças dessas e de outras tantas situações e também na desconstrução desses mitos que nos abatem diariamente, nos inferioriza, nos tira a autonomia e nos limita a papéis de dependência dentro da sociedade.

A violência contra a mulher é REAL e diária. Está nas redes sociais, nas ruas das cidades e dentro de muitas empresas e inúmeras residências. Por isso é tão importante provocarmos o debate nesse dia 08 de março e estendermos para os demais dias do ano, para o dia a dia. Por isso é tão importante que homens e mulheres se unam na desconstrução de mitos e na conquista pela igualdade de direitos. Afinal, mudanças desse porte não ocorrem do dia para a noite e nem muito menos num único dia. Pensem nisso!


 [Foto: Disponibilizada livremente na internet]







Referências

- Folha UOL, 24 de fevereiro de 2015. “Mulheres sofrem ameaça de estupro ao defender feminismo na internet”, reportagem de Fernanda Perrin e Gabriela Terenzi.


- BrasilPost, 01 de março de 2015. “Misoginia na internet: como o Estado deve identificar e punir os machistas virtuais”, reportagem/artigo reproduzido do Instituto Beta para Internet e Democracia.

0 comentário(s):

Postar um comentário

Quando a última árvore cair, derrubada; quando o último rio for envenenado; quando o último peixe for pescado, só então nos daremos conta de que dinheiro é coisa que não se come".

(Índios Amazônicos)

Twitter Facebook Google+ Email More